← Voltar ao blog

IA & Agentes

Copilot Studio - Base de Conhecimento [3] - Semantic index por dentro e o Foundry IQ

Copilot Studio - Knowledge base [3] - The semantic index from the inside and Foundry IQ

Copilot Studio - Base de Conhecimento [3] - Semantic index por dentro e o Foundry IQ

Fala dataholics! Chegamos na parte 3 da série Base de Conhecimento e é a que amarra o SharePoint de vez. No post 2 a gente viu que o SharePoint reaproveita o semantic index do tenant e hoje eu abro esse índice por dentro pra você entender como ele funciona de verdade, se tem custo, onde ele te limita e como tudo isso conversa com o novo Foundry IQ que a Microsoft mostrou no Ignite 2025.

O que veremos nesse post:

  • O semantic index por dentro (como funciona)

  • Tem custo?

  • Limitações que você precisa conhecer

  • Foundry IQ: RAG customizado no Azure AI Search

  • As duas SharePoints do Foundry IQ

  • Fechando o loop: Azure AI Search como Knowledge do agente

  • Resumo


O semantic index por dentro

O semantic index é uma representação por significado do conteúdo do seu Microsoft 365 e não é força de expressão dizer isso porque a própria doc da Microsoft afirma que ele funciona criando índices vetorizados ("creating vectorized indices") capazes de buscar entre bilhões de vetores. Cada pedaço do conteúdo vira um vetor que representa aquele significado e os vetores parecidos ficam próximos no espaço, e é por isso que a busca entende "último evento antes de tal data" mesmo quando o documento não tem essas palavras escritas do mesmo jeito.

E quando esse embedding acontece? Deixa eu te dar um exemplo bem concreto. Você sobe um Word numa biblioteca do SharePoint e o arquivo cru continua lá no site do jeitinho que você subiu, o original nunca sai do lugar. O que roda por trás dos panos é o Microsoft Graph pegando o texto desse arquivo e gerando a versão vetorizada que vai pro índice, e o momento em que isso acontece depende de onde o conteúdo está:

  • Documento que você cria ou edita no seu contexto (mailbox) é indexado quase em tempo real.

  • Documento novo num site do SharePoint acessível por dois ou mais usuários entra no índice diariamente.

  • Documento que já estava indexado e sofre alteração tem as mudanças reindexadas na hora.

O que vai pro índice então é só a representação vetorial e ela mora num container isolado do seu tenant enquanto o arquivo original segue exatamente onde estava, o que quer dizer que isso nem toca na sua cota de storage.

Mais duas coisas que valem gravar sobre ele:

  • São dois níveis de índice e um fica no nível do tenant (o conteúdo do SharePoint da organização) enquanto o outro é por usuário (seus e-mails, arquivos compartilhados com você, coisas onde te marcaram), então cada pessoa tem a sua fatia.

  • Ele respeita a permissão (ACL) porque o índice guarda o controle de acesso do conteúdo original e por isso a busca só te devolve aquilo que você já teria direito de ver. É o security trimming que vimos no post 2 e agora você entende de onde ele vem, está embutido no próprio índice.

E o ponto mais importante do modelo é que você não monta esse índice, ele é criado e mantido automaticamente pela Microsoft pra todo tenant em cima do que o Microsoft Search e o Microsoft Graph já indexam. Sem pipeline seu e sem banco de vetores seu, é o RAG que já vem pronto.


Tem custo?

O semantic index não tem custo à parte porque ele vem junto com a licença do Microsoft 365 Copilot e é criado automaticamente pela Microsoft sem SKU separado e sem consumir a sua cota de storage (como vimos, ele mora num container isolado do tenant). Se você já tem Copilot esse índice está pago dentro dele e nem tem botão pra ligar, dimensionar ou escolher modelo.

O custo mesmo só aparece quando você sai do gerenciado e vai montar o seu próprio índice no Azure AI Search (é pra onde a gente caminha nesse post) porque aí entra cobrança de recurso, o serviço do Azure AI Search é pago por tier, replicas e storage e o enriquecimento via skillsets tem cobrança própria. Nada disso existe no semantic index gerenciado e é justamente esse o preço da liberdade que você ganha do outro lado.


Limitações que você precisa conhecer

O modelo gerenciado é ótimo mas ele te tira o controle de algumas coisas e vale saber onde aperta:

  • Você não controla o chunking porque a estratégia de indexação é uma caixa fechada da Microsoft, então se o seu caso pede um chunk do seu jeito (por seção, por tamanho, com overlap específico) o semantic index não deixa você mexer.

  • Metadados de coluna entram só em cenário com escopo e o SharePoint usa as colunas como sinal de relevância quando você atrela uma biblioteca ou pasta específica na experiência web, não é um esquema de campos que você modela e filtra livremente como faria no Azure AI Search.

  • Escala das listas pesa e como vimos no post 2 dá pra conectar até 10 listas, sendo que listas com mais de 35 mil linhas começam a derrubar qualidade e latência.

  • Freshness não é você quem controla porque a atualização do conteúdo segue o refresh do índice do tenant.

  • Restricted SharePoint Search bloqueia o uso do SharePoint pra grounding se a política estiver ligada.

Repara no padrão porque quase toda limitação aqui é um "eu não controlo", e é exatamente aí que o Foundry IQ entra.


Foundry IQ: RAG customizado no Azure AI Search

O Foundry IQ foi anunciado no Ignite 2025 como a camada de conhecimento pros agentes e é construído em cima do Azure AI Search com a ideia de entregar um retrieval mais esperto que o RAG simples. Em vez de só buscar trechos parecidos ele faz query planning, quebra a pergunta em partes, refina a busca e passa tudo por um ranking semântico unificado, que é o que a Microsoft chama de agentic retrieval.

A grande diferença pro semantic index é que aqui o índice é seu e você define o chunking, o enriquecimento e os campos, o oposto da caixa fechada do M365.

No portal ele vive em Microsoft Foundry, AI Search na seção Agentic retrieval e fica dividido em Knowledge sources (as fontes) e Knowledge bases (o agrupamento que responde). Montei uma knowledge base rápida e perguntei "alguma referência sobre RAG?" só pra ver ele trabalhar:

Repara no lado direito que ele respondeu explicando os tipos de RAG e ainda citou a fonte (o arquivo "Uso de IA Generativa.pdf" que estava no meu knowledge source). É o mesmo espírito do Copilot Studio com grounding e citação só que aqui o motor é o Azure AI Search e quem monta tudo é você.


As duas SharePoints do Foundry IQ

Quando você vai adicionar um Knowledge source no Foundry IQ o SharePoint aparece duas vezes na lista e a diferença entre as duas é tudo:

O próprio texto no topo da tela já entrega a regra geral e diz que fontes Indexed geram skillset e data source pra automatizar a ingestão e o enriquecimento enquanto fontes Remote conectam direto no conteúdo externo. Aplicando isso ao SharePoint:

  • Microsoft SharePoint (Indexed): "Indexes SharePoint content into Azure AI Search for custom pipelines." Ele copia o conteúdo do SharePoint pra dentro do seu Azure AI Search criando indexer, skillset e data source, e vira um índice vetorial seu com pipeline que você controla (chunking, enriquecimento, campos custom). O preço é que você duplica o dado, assume a governança e paga o Azure AI Search.

  • Microsoft SharePoint (Remote): "Query Microsoft SharePoint content in real time with Microsoft 365 governance." Ele não copia nada e consulta o SharePoint ao vivo herdando a governança nativa do M365, incluindo o security trimming e o semantic index do tenant que a gente abriu lá em cima. É o mundo gerenciado só que acessado pelo lado do Azure.

Reginaldo, se o Remote já herda tudo do M365 por que eu usaria o Indexed e teria todo esse trabalho?

Boa, essa é a pergunta certa. Você vai pro Indexed justamente quando bate nas limitações lá de cima e precisa de chunking do seu jeito, de campos e metadados que o semantic index não expõe ou quer misturar o SharePoint com dado que nem vive no M365 (um blob, um SQL) no mesmo índice. Fora esses casos o Remote resolve com bem menos dor de cabeça.


Fechando o loop: Azure AI Search como Knowledge do agente

Agora a parte que junta tudo e que talvez já esteja na sua cabeça: dá pra usar o Azure AI Search direto como base de conhecimento no Copilot, né?

Dá sim. Lá no post 1 a gente viu que o Azure AI Search está na lista de fontes de Knowledge do Copilot Studio (na aba Advanced) e é assim que o ciclo fecha, porque quando o gerenciado não te atende você monta o RAG do seu jeito no Foundry IQ e Azure AI Search com o seu chunking, os seus campos e o seu enriquecimento e depois conecta esse índice como Knowledge do agente no Copilot Studio.

No fim é o mesmo SharePoint aparecendo em três níveis de controle:

  • Copilot Studio, Knowledge (SharePoint) é o totalmente gerenciado que reusa o semantic index do tenant, o que vimos nos posts 1 e 2.

  • Foundry IQ, SharePoint (Remote) é o mesmo modelo gerenciado só que acessado do lado Azure herdando a governança do M365, a ponte entre os dois mundos.

  • Foundry IQ, SharePoint (Indexed) é quando você sai do gerenciado, monta o pipeline no Azure AI Search e pluga de volta no agente com controle total.

Na prática eu escolho assim: se o dado vive no M365 e a permissão do usuário tem que valer eu fico no gerenciado (Copilot Studio ou Remote), e se preciso de chunking customizado, enriquecimento pesado ou juntar fontes de fora aí eu vou de Foundry IQ e conecto o Azure AI Search como knowledge do agente.


RESUMO

  • O semantic index é o índice por significado do M365 em dois níveis (tenant e usuário) com a permissão (ACL) embutida, e ele vem pronto porque você não monta.

  • Custo: o índice é incluso na licença M365 Copilot sem SKU à parte, e o custo de recurso só aparece do lado do Azure AI Search.

  • Limitações: você não controla o chunking, metadados custom só entram com escopo, listas grandes pesam e o refresh não é você quem define.

  • O Foundry IQ (Ignite 2025) é a camada de agentic retrieval no Azure AI Search onde o índice é seu com chunking, campos e enriquecimento no seu controle.

  • No Foundry IQ o SharePoint vem em duas formas, o Indexed que copia pro seu Azure AI Search e o Remote que consulta ao vivo herdando a governança do M365.

  • Dá pra plugar o Azure AI Search como Knowledge do agente no Copilot Studio e é assim que você usa um RAG customizado do Foundry IQ dentro do seu Copilot.

Fechou a parte 3. A série continua saindo um por dia e no próximo eu quero colocar o SharePoint (Remote) pra rodar no Foundry IQ na prática e comparar o retrieval com o do Copilot Studio.

Referências:

https://learn.microsoft.com/en-us/microsoftsearch/semantic-index-for-copilot

https://learn.microsoft.com/en-us/azure/search/search-agentic-retrieval-concept

https://learn.microsoft.com/en-us/azure/search/search-howto-index-sharepoint-online

Fique bem e até a próxima.

#copilotstudio #sharepoint #foundryiq #ia #agentes #datainaction

#copilotstudio#sharepoint#foundryiq#ia#agentes#datainaction

Gostou? Tem mais no YouTube e no LinkedIn.

← Voltar ao blog